segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Jovens põem criança e cão em cena de zoofilia

É mais um caso de uma brincadeira, no mínimo, de muito mau gosto. Um grupo de adolescentes madeirenses colocou, há cerca de um mês, no conhecido site YouTube, dois vídeos de uma criança e um cão, simulando um acto sexual, intitulado “Violação no Funchal”.Os vídeos, um de 16 e outro de 44 segundos, mostram um cão, supostamente de raça Labrador, tentando 'violar' uma criança de aparentemente seis ou sete anos.
Num dos vídeos vemos o menino a tentar desviar-se do animal, mostrando-se assustado em certos momentos, e ouvimos elementos do grupo que assiste, ri e filma a cena a incentivar a criança a permanecer lá e até a se pôr de costas para o cão.
«Põe-te direito!», ouve-se um rapaz pedir à criança. Mas o menino resiste e não se coloca de costas para o cão que, excitado, não pára de simular uma cena de zoofilia.
No vídeo mais longo, vemos o animal em cima do menino, prendendo-o contra um muro. A criança esforça-se por se libertar, mas o cão, maior e mais forte, segura-o contra si, impedindo-lhe a libertação.
O menino chama por alguém, mas um dos pelo menos três jovens que assistiam à cena diz-lhe que essa pessoa não está lá.
As imagens que o vídeo mais longo mostra podem ser chocantes para a sensibilidade de algumas pessoas, apesar de deixarem várias dúvidas sobre se o menino estaria a participar voluntariamente na 'brincadeira', ou não. Seja como for, as cenas comprovam que o fenómeno das 'brincadeiras de mau gosto' para colocar no YouTube não parou com o polémico caso que fez correr muita tinta no início deste Verão, quando se soube que um grupo de jovens andou a atirar para outros miúdos e turistas, “cocktails” com substâncias tóxicas.Desta vez, este grupo de jovens quis publicar cenas de zoofilia.
«O cão já tem uma certa idade, mas para dar uma f******, está sempre pronto», é a frase que acompanha o primeiro dos vídeos, supostamente gravado na zona dos Barreiros, no Funchal.
O outro vídeo tem como legenda «Começa tudo de novo.», o que deixa supor que esta 'brincadeira' aconteceu mais do que uma vez. Por estar na Internet há apenas um mês, os dois vídeos foram vistos poucas vezes. Nenhum ainda ultrapassou as 100 visitas.
Os vídeos estão colocados na conta de A. R., que usa a alcunha "Azulejox".A.R. já tem 'postados' no Youtube dez vídeos, mas apenas estes dois simulam actos de zoofilia. Na conta de Azulejox há um vídeo de 'luta de gays', dois de 'ralis em carrinhos de esferas', uma 'porrada de pitos', um 'guarda-redes' e três de cariz sexual. Estes três vídeos - um deles serve apenas para apresentar o grupo "Roque Party Madeirense", do qual o autor faz parte - mostram outra 'brincadeira' destes jovens.
Neste caso, os adolescentes colocavam-se à noite na promenade do Lido, atrás de umas plantas nos jardins e emitiam sons exagerados simulando uma relação sexual enquanto outros, à gargalhada, filmavam as expressões de espanto e receio dos turistas que passavam e ouviam os gritos vindos de trás dos arbustos.

«Vergonha inadmissível», diz José Prada

O advogado José Prada, membro da direcção do Conselho Distrital da Madeira da Ordem dos Advogados, acedeu comentar ao JM o conteúdo dos vídeos aqui relatados.Sobre as cenas que simulam um acto sexual entre uma criança e um cão, José Prada disse tratar-se de uma «palhaçada vergonhosa».«É uma vergonha inadmissível. Pai como eu sou, ver uma criança com a idade mais ou menos do meu filho mais velho, ser usada para brincadeiras por outras crianças que não têm educação nenhuma», disse o advogado.
«É não ter gosto nenhum quem introduz este tipo de vídeos na Internet», acrescenta o causídico, afirmando que o conteúdo é «censurável» à luz do Tribunal de Família e Menores.
«No primeiro e no segundo (vídeos) parece ser a mesma criança e o mesmo cão, e parece que estão juntamente com outras crianças mais velhinhas», comenta José Prada. Mas a pesquisa do JM concluiu que quem filma a cena é um adolescente e já perante este elemento o advogado diz que a filmagem «é censurável quer pelos pais, primeiro, e, caso os pais não censurem, quer pelo Tribunal, que deve agir em relação ao mais adolescente»
.José Prada diz que os vídeos não fazem bem uma exibição pornográfica, porque se o fizessem teriam de responder pelo artigo 172, n.º 3 alínea c, do Código de Penal, que pune quem usa crianças para estes actos.
No caso em apreço «é mais uma 'brincadeira', que pode sair cara, porque pode magoar a criança.
O cão arranha, põe-se em cima e mete medo à criança», refere o advogado, adiantando que caso as patas do cão tenham arranhado a criança pode ser considerado uma «ofensa corporal».

Agente da PSP filmado no mercado a agredir sem-abrigo

O YouTube é um dos três sítios na Internet mais visitados do planeta, sendo particularmente popular entre os jovens. Em Portugal, é líder, segundo um estudo da Netpanel sobre os acessos entre Janeiro e Setembro de 2008. Bem distante na quantidade cliques, vem o também popular Hi5, que ocupa a segunda posição na tabela dos mais procurados. O Gmail e o Sapo fazem parte desta lista, ocupando as 3.ª e 4.ª posições, respectivamente.
O conteúdo do YouTube é maioritariamente amador, uma vez que este site permite que qualquer pessoa coloque os vídeos que quiser, apesar de haver algumas restrições quanto aos conteúdos, especialmente se houver sexo explícito.
O YouTube tem-se revelado um atractivo 'brinquedo' para os jovens, porque nele é possível exibir as proezas ou situações cómicas ou outras que acontecem no quotidiano.
Até aqui tudo bem. O problema nasce quando os miúdos ultrapassam os limites e aproveitam o imenso palco que é o YouTube para mostrar peças de gosto muito duvidoso e conteúdo degradante e condenável, até do ponto de vista criminal. A propósito do gosto, no mínimo, duvidoso dos vídeos e dos seus conteúdos, há um outro vídeo no YouTube envolvendo dois sem-abrigo e alcoólicos e um polícia. Com a legenda «Cá se fosse eu ia logo ao ministério público , o gajo so tava a por o outro a mam** :X», o autor do vídeo mostra uma cena de dois bêbedos, sentados perto do Mercado dos Lavradores, a lutar depois de um tentar tirar ao outro o cinto das calças.
Como um resistiu, o outro agrediu-o com um soco e duas cotoveladas na cara. Subitamente, surge um agente da Polícia de Segurança Pública que dá um "chapadão" no bêbedo agressor e arrasta uns metros o bêbedo agredido pelo chão, separando-os assim.Colocado há cerca de um ano, este vídeo já foi visto mais de 14 mil vezes.

Vídeo pode dar processo disciplinar

O advogado José Prada diz que a Polícia de Segurança Pública (PSP) deveria usar o vídeo que está no YouTube, no qual um agente da PSP agride um bêbedo, para fazer prova num eventual processo disciplinar que venha a ser instaurado.
«Como a PSP gosta de usar os vídeos no YouTube para multar pessoas que andam de patins em linha e para multar pessoas que andam em excesso de velocidade, também devia de usar o mesmo meio para proceder disciplinarmente contra os seus agentes», sugere o advogado.No entender de José Prada, o vídeo devia servir de base para um processo disciplinar contra o agente e o agredido pelo polícia deveria participar criminalmente.

Noticia de Alberto Pita, publica no JM (2008-12-07)

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